Protesto toma conta das ruas da cidade

Créditos: Clicjm
A mobilização dos caminhoneiros tomou força nesta quinta-feira, quarto dia de paralisação. Pela manhã, os manifestantes organizaram uma carreata, com saída do posto Buffon – antigo posto Lambari. De lá, eles partiram para a Praça da República, onde uma grande manifestação foi realizada.
“O movimento deixou de ser dos caminhoneiros para ser da sociedade, que está percebendo que não há mais condições de aceitar determinadas ações dos gestores públicos brasileiros”, disse um dos coordenadores da paralisação, Francisco Nehring. Atuante em movimentos desde o ano de 1999, Francisco, ou Chico, como prefere ser chamado, disse que a felicidade está no fato de perceber a conscientização da comunidade para a causa. Os caminhoneiros querem fazer um alerta para o alto custo do combustível, em especial do óleo diesel.
Chico destacou, em contato com o Grupo JM, que o movimento cresceu desde a última segunda-feira. Neste dia, eram 30 pontos de protesto no Estado. Na terça-feira, o número era de 45 e, ontem, quase 80. “Você vai na gôndola do mercado e falta produto. Um movimento com essa dimensão ainda não tínhamos registrado”, disse, lembrando que enquanto os caminhoneiros protestavam em Ijuí, o presidente do Sindicato dos Transportes Autônomos de Carga (Sinditac), Carlos Alberto Litti Dahmer, participava das negociações em Brasília, como representante do Estado.
E quando fala em falta de produtos, Chico está certo: em contato com supermercados na tarde de ontem, o Grupo JM constatou que as prateleiras estão quase vazias nas seções de hortifruti e carnes. Gás de cozinha já não é encontrado na cidade, segundo os gerentes, e já há dificuldade na oferta de produtos como farinha, arroz e erva-mate, por exemplo.
A equipe entrou em contato com 20 postos de combustíveis e, até o final da tarde de ontem, cinco não tinham qualquer produto. Três ainda contavam com gasolina, três com etanol e 13 com óleo diesel.
Outros serviços ainda não foram afetados, como o transporte público, conforme informou a Medianeira Transportes, e a coleta seletiva, segundo a empresa Ansus.
De acordo com Chico Nehring, não satisfaz a categoria o anúncio da Petrobras, na última quarta-feira, de redução de 10% no preço do diesel nas refinarias, durante 15 dias. O novo preço entrou em vigor ontem nas refinarias e terminais. Não basta, também, a Câmara dos Deputados ter aprovado, na noite de quarta-feira, em votação simbólica, o projeto que elimina a cobrança de PIS-Cofins sobre o diesel até o fim de 2018. A proposta agora precisa ser analisada pelo Senado, antes de seguir para a sanção presidencial.
A categoria reivindica, também, a aprovação do Projeto de Lei nº 528/2015, que cria a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
Ontem, o transporte de cargas não passava pelo movimento dos caminhoneiros, no trevo da  BR-285 com a ERS-342. Ambulâncias, carros de passeio e algumas cargas perecíveis eram liberadas, segundo Chico.
Ainda na manhã de ontem, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, concedeu liminar visando garantir o direito de circulação em rodovias federais do Estado. O documento, assinado pela desembargadora federal do TRF4, Vivian Josete Pantaleão Caminha, determina que os manifestantes não impeçam a circulação de quem deseja trafegar pelas rodovias federais do Estado. Quem descumprir a ordem terá de pagar multa de R$ 1 mil “por hora de desobediência”.
Fonte: Clicjm

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