Crise fiscal e energia vão acelerar inflação

Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa de inflação para 2018 e passaram a prever uma alta menor do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que ficou, pela primeira vez, abaixo de 2%.
A análise feita pelos economistas levou a uma previsão de crescimento de 2,18% para 1,94%. Foi a sexta queda seguida do indicador. Há um mês, a estimativa de crescimento da economia, para este ano, estava em 2,51%.
Outro ponto negativo do boletim foi a previsão do mercado financeiro para a inflação em 2018, que avançou de 3,65%, na semana retrasada, para 3,82% na última semana.
Sobre o índice de inflação pairam, especialmente, dúvidas sobre a capacidade que o indicador tem de refletir o aumento de preços sentido pelo consumidor diariamente.
Para o economista Antônio da Luz, não há nenhum problema com o sistema metodológico utilizado para aferir a inflação no País. Ele explica que, na verdade,  é preciso ter em conta que a inflação mede, somente, o crescimento médio dos preços em um determinado período.
“O fato de a inflação estar baixa, não significa que os preços estão baixos. A inflação é uma taxa de crescimento de preços, e quando o percentual é baixo, só significa que estes preços estão crescendo menos”, esclarece.
O especialista cita, ainda, que nos últimos três anos a inflação acumulada no País é de quase 20%. Somente em 2015, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou crescimento de 11%. “Como tivemos essa elevação muito forte nos últimos anos, é normal que nos anos subsequentes a inflação tenha índices mais baixos”.
Preços altos em 2019
Na análise de Antônio da Luz, o cenário político e econômico do Brasil levará a índices mais elevados de inflação no próximo ano, já que diversos fatores devem contribuir para uma forte aceleração de preços ao consumidor.
Com o subsídio ao diesel, o governo federal deixou claro que continuará mantendo os mesmos impostos e política de preços para a gasolina, o que deverá elevar o valor do produto nos postos.
O aumento da energia elétrica é outro fator preponderante, já que diversas concessionárias terão reajuste muito acima da inflação – o caso mais recente é o da RGE, que distribui e transmite energia para mais de 1,5 milhão de gaúchos, e terá reajuste tarifário de 20,58%.
A elevação de dois insumos básicos à população provoca uma “tempestade perfeita”.
“Energia elétrica e gasolina é algo que todo mundo usa, direta ou indiretamente, tanto para consumo pessoal quanto através da agropecuária, da indústria, do comércio, enfim. Em suma, isso gera muito mais inflação, e esse índice de 3,5% começa a se perder. Devemos ter um 2019 com inflação significativamente mais alta, puxada pelos combustíveis e energia elétrica. É um fenômeno que estoura no médio prazo”, avalia.
Previsões para a economia
Os analistas do mercado financeiro também mantiveram em 6,50% ao ano sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, ao final de 2018.
Com isso, o mercado estima que a taxa de juros fique estável no atual patamar de 6,50% ao ano até o fechamento deste ano. A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 permaneceu em R$ 3,50 por dólar. Para o fechamento de 2019, ficou estável também em R$ 3,50 por dólar.
A projeção do boletim Focus para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), em 2018, subiu de US$ 57 bilhões para US$ 57,15 bilhões de resultado positivo.
A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2018, recuou de US$ 75 bilhões para US$ 71 bilhões. Para 2019, a estimativa dos analistas caiu de US$ 80 bilhões para US$ 77 bilhões.

Fonte: Clicjm

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