Antonio Fagundes estreia como produtor de cinema em um filme sobre a crise política

Ele até gosta de política, mas afirma não suportar os políticos. E acha que o Brasil às vezes o faz se sentir um idiota.

Pintado como bússola moral no filme “Contra a Parede”, o âncora de telejornal interpretado por Antonio Fagundes personifica também as ruminações do brasileiro comum, que tem desejos de acabar com “tudo o que está aí” e não é muito dado a nuances.

O longa de Paulo Pons marca também a estreia do ator como produtor de cinema. A exemplo do que já faz no teatro, ele não contou com recursos públicos. “Porque você perde independência se submete seu projeto a algum escrutínio”, diz Fagundes. O total investido é mantido em sigilo.

Na trama, ele vive Cacá Viana, um jornalista veterano às vésperas da eleição presidencial. Os dois principais pré-candidatos ao pleito se veem envolvidos num acidente de trânsito que vitima a diretora de uma ONG, e Viana sabe detalhes a respeito que podem alterar o rumo da corrida.

A partir daí, o roteiro é todo construído para justificar discussões e embates éticos mastigados num tatibitate digno de debate colegial. “Se votarmos com mais sabedoria, o próximo governo não será apenas um novo e velho capítulo da nossa tão repetida história”, diz o jornalista, em sua bancada.

Pons, que também roteirizou a obra, diz que não teve intenção de ser didático.

“As ideias dele [de Viana] sobre ética são muito fáceis de compreender pela maneira que ele fala”, diz o diretor. “Mas nunca foi minha deia fazer um panfleto, um discurso sobre ética.”

Sobre um projeto pensado para o cinema que faz sua estreia na TV aberta, Fagundes explica: “Fizemos a produção em esquema de guerrilha, com recursos próprios. Filmamos em 20 dias cronometrando o processo de finalização para que o lançamento ocorresse nesse mesmo momento da vida real, a dois meses das eleições. A TV foi o caminho porque não podíamos esperar uma janela no circuito de cinema, sob o risco de perder o timing”.

A obra, que começou a tomar forma há dois anos, será lançada neste sábado (11), na televisão e na internet, simultaneamente.

“Queríamos lançar o filme nessa época porque precisamos voltar ao debate público. Estamos sendo excluídos das conversas. As pessoas estão tendo ideias radicais demais. ”, diz Fagundes.

Ele, que durante anos votou no PT, se diz decepcionado, mas ainda não definiu que número apertará nas urnas. “Eu e a torcida do Flamengo.”

Fonte: O Sul

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