Saúde mental entra em debate em Ijuí

Cerca de 150 pessoas participam, desde ontem, da 5ª edição da Jornada de Saúde Mental do Hospital Bom Pastor de Ijuí. O evento, realizado no auditório do Sesc, traz como tema “Desafios e Potencialidades na saúde mental: inclusão e abordagens”.
“O objetivo da Jornada é qualificar, ainda mais, o cuidado em saúde mental e a assistência aos nossos usuários. Em sua quinta edição, o evento já está consolidado e oportuniza aos profissionais, tanto de Ijuí quanto da região, a discussão de conceitos em saúde mental”, explicou a diretora executiva do Hospital Bom Pastor de Ijuí, Rosane Schiavo.
Em entrevista concedida ao Grupo JM, Schiavo destacou que a drogadição é um dos principais desafios da área de saúde mental atualmente. Um problema de saúde pública, conforme explica: “Temos percebido um volume acentuado de pessoas, de jovens e adultos, fazendo uso de drogas. Muitas vezes, o início se dá pela bebida alcoólica. O consumo se amplia, parte-se para a maconha, para o crack, para a cocaína. As pessoas acabam se perdendo e precisando de apoio. E é importante que esse apoio seja dado por profissionais e, principalmente, pela família”, destacou Schiavo.
Mas não é apenas a drogadição que preocupa os profissionais. Também tem levado ao adoecimento o tipo de vida que a população tem levado, com o uso constante da tecnologia, que faz com que estejamos sempre conectados. “Trouxemos profissionais de renome no Estado para discutir estas questões. Para trazer novas formas de cuidado”, reforça a diretora executiva.
O evento foi aberto pela psicóloga especialista em Ciência Política, mestranda em Psicologia da Saúde, Maria Luiza Dielo. Ela abordou o tema “Desafios contemporâneos na saúde mental”. Em contato com o Grupo JM, ela destacou que propôs uma reflexão sobre como a sociedade está olhando para a saúde mental. “Estamos num tempo em que as políticas públicas estão sendo destruídas, em que a medicamentalização está tomando conta e há um consumo desenfreado na sociedade. Que tempo é esse? Lembrando que temos toda uma referência de saúde mental olhando para a questão da doença mental”, explicou.
Maria Luiza diz que, todos os avanços conquistados, por meio da luta de usuários, trabalhadores e gestores, estão sendo destruídos no momento em que se modifica a legislação e a forma de se trabalhar. “Temos grande investimento em comunidades terapêuticas, na retomada de manicômios, no uso de medicamentos. O quadro não está bom e precisamos trabalhar com isso.”
Ontem, também foi trabalhado o tema “Reabilitação em Saúde Mental: Empoderamentos e Protagonismos”. Vivências e Potencialidades da Rede de Proteção Psicossocial (Raps) também foram apresentadas, com posterior relato de experiência de voluntária da Casa Ama. A programação segue hoje, às 8h, com painel sobre “Atenção psicossocial no cuidado de pessoas que têm problemas na relação com álcool e outras drogas”. Estará à frente da discussão a psicóloga  mestre em Saúde Coletiva, Paola Lazzarotto, e a enfermeira doutora em Saúde Coletiva, Michele Eichelberger.
O médico psiquiatra Bruno Guidolin também abordará o tema “Alcoolismo – Abordagem interdisciplinar no manejo de pacientes dependentes e alcoolistas”, às 10h15. À tarde, a partir das 13h30, o psicólogo e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental abordará o tema “Compulsões e Transtornos do Exagero – Como tratar”.

 

Fonte: Clicjm

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