A ONU estima que 2,2 milhões de pessoas já saíram da Venezuela

O êxodo de venezuelanos já é um dos maiores movimentos populacionais em massa da história da América Latina. O alerta foi feito pela ONU (Organização das Nações Unidas), que destacou a situação crítica do país latino. A emigração de venezuelanos para o exterior superou a dos colombianos durante o conflito com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), com ápice nos anos 1990, que levou a cerca de 1 milhão de colombianos a deixar o país.

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo, desde o começo do ano, 547 mil venezuelanos entraram no Equador, depois de atravessar a Colômbia. Até julho, foram em média 3 mil imigrantes que cruzam a fronteira por dia. “Mas o fluxo está se acelerando e, na primeira semana de agosto, 30 mil venezuelanos entraram no país – mais de 4 mil por dia”, disse William Spindler, porta voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

Só no caso do Equador, os dados apontam para um fluxo quase dez vezes superior aos números registrados na crise de refugiados entre o Norte da África e a Europa neste ano. Só 20% desses imigrantes ficam no Equador. Em geral, seguem para Peru e Chile.

A OIM (Organização Internacional de Migrações) indicou que, entre janeiro e o início de agosto, 60 mil pessoas cruzaram o Mediterrâneo para a Europa. O fluxo de venezuelanos hoje é superior ao movimento pelo Mediterrâneo.

Desses, 145 mil pediram asilo em diferentes países desde 2014. Hoje, Spindler admite que o número é ainda maior e que a entidade tenta mapear a crise. “Não sabemos quantos saem da Venezuela”, afirmou.

Em 2018, um total de 117 mil venezuelanos pediram asilo em todo o mundo, um número que superou toda a marca dos doze meses de 2017. Internamente, algumas agências da ONU já trabalham com o número de 2,2 milhões de venezuelanos vivendo fora do país.

A migração de diversos países latino-americanos em direção aos Estados Unidos ainda supera o êxodo venezuelano, apesar das características distintas. Nos anos 80, os deslocamentos de centro-americanos diante dos conflitos regionais fizeram cerca de 1 milhão de pessoas fugirem de seus países.

De acordo com os dados de Spindler, cerca de 200 venezuelanos continuam a entrar a cada dia em Roraima. Nos quatro primeiros meses do ano, 32 mil venezuelanos pediram refúgio no Brasil. Outros 25 mil vivem no País com outro tipo de documento migratório, seja residência, vistos de estudantes ou outras formas legais.

Na quarta-feira, o Equador declarou estado de emergência nas províncias de Carchi, Pichincha e El Oro. O estado de emergência está previsto para durar até o fim de agosto e tem como objetivo acelerar o envio de recursos às províncias afetadas, com o deslocamento de médicos e assistentes sociais para auxiliar os imigrantes, e reforço policial. A ONU elogiou a decisão, apontando que a medida permitirá que recursos sejam destinados aos refugiados.

De acordo com as Nações Unidas, “muitos dos venezuelanos estão se movendo a pé em uma odisseia de dias e até semanas em condições precárias”. “Em muitos casos, o dinheiro de muitos deles termina durante a viagem e, destituídos, são forçados a viver em parques públicos e recorrer a mendigar e outros mecanismos negativos para conseguir recursos para viver”, disse Spindler.

Mulheres e crianças compõem 40% daqueles que tem chegado ao Equador e muitos enfrentam o risco de violência sexual. Além disso, reações xenófobas tem sido registradas. Descrito como um “aumento dramático” de venezuelanos, o fluxo tem levado milhares de refugiados e imigrantes a terem de dormir ao ar livre na fronteira, a espera de serem registrados em um novo país.

O que a ONU também constata é que a maioria dos venezuelanos entrando no Equador tem seguido viagem para Peru e Chile, apesar de 20% deles permanecerem no país.

Fonte: O Sul

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