O número atual de grávidas é estimado em mais de 100 mil no Rio Grande do Sul. Todas elas devem ser vacinadas contra a gripe

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Durante a gestação, a imunidade diminui, deixando a mulher mais suscetível a doenças. (Foto: Agência Brasil)

Estima-se que pelo menos 106 mil gestantes residam em todo o território gaúcho. E independentemente do período de gestação, todas elas podem e precisam ser vacinadas contra a gripe. A orientação da Secretaria da Saúde é reforçada pela direção da Sogirgs (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul).

Desde o dia 10 deste mês, quando foi aberta oficialmente em Porto Alegre a campanha nacional deste ano, mais de 20 mil (ou 19%) grávidas já foram imunizadas no Estado. As doses continuarão sendo aplicadas a esse segmento populacional até o dia 31 de maio, dentro de uma meta de cobertura de pelo menos 90% desse público.

O presidente da entidade, Breno José Acauan Filho, defende que a vacinação das gestantes não envolve apenas um conselho: “Trata-se de uma intimação, elas têm que fazer. Durante a gravidez, há uma diminuição da imunidade da mulher, fazendo com que esteja mais suscetível à gripe e outras doenças. Ela também corre maior risco se tiver outra doença associada, como hipertensão ou diabetes”.

Ele também esclarece que a mulher pode fazer a vacina contra a gripe em qualquer idade gestacional, desde o atraso menstrual até os 45 dias após o parto. “A vacina é segura e protege tanto a mãe como o bebê”, garante Breno, adiantando também a importância da vacinação das puérperas, que começam a ser imunizadas nesta segunda-feira.

Estudos científicos apontam que durante a gestação ocorre a transferência de anticorpos maternos para o feto, por meio da placenta. Uma pesquisa realizada com 27 voluntárias pela Universidade de Utah (EUA), por exemplo, forneceu a dose para 41% delas.

Exames de sangue realizados nas crianças imediatamente depois do nascimento mostraram que todos os bebês cujas mães tinham sido vacinadas apresentavam os anticorpos contra a gripe, contra apenas 31% dos filhos das mulheres não imunizadas. Os anticorpos desse último grupo provavelmente foram adquiridos porque a mãe teve contato com o vírus durante a gestação.

Passados dois meses desde o nascimento, 60% dos filhos das mães vacinadas ainda apresentavam anticorpos, contra apenas 11% do outro grupo. É uma vantagem para o bebê, uma vez que a vacina contra a gripe só pode ser aplicada nas crianças depois dos seis meses de vida.

Outra aliada contra a gripe é a alimentação, que deve ser balanceada, rica em legumes, verduras e frutas, principalmente aquelas que são fontes de vitamina C, como laranja, tangerina e abacaxi, e ajudam a melhorar a imunidade. Beber bastante líquido, fazer exercícios físicos regulamente e dormir bem durante a noite também são importantes, bem como lavar as mãos, evitar lugares fechados e aglomerações.

Outras vacinas

Durante a campanha contra a gripe, as gestantes podem receber de forma concomitante outras vacinas já previstas, caso isso ainda não tenha sido feito. Elas também precisam ser imunizadas contra a hepatite B e a tríplice bacteriana (ou dTpa), que previne a difteria, tétano e coqueluche.

Na campanha do ano passado, as grávidas foram um dos grupos que apresentou menor procura pela vacina da gripe no Rio Grande do Sul: a cobertura foi de apenas 72%. Por esse motivo, as gestantes foram priorizados pela campanha deste ano, da mesma forma que as crianças.

A vacinação começou para esses dois grupos no dia 10 de abril. No dia 22 (segunda-feira), somam-se à campanha os demais públicos considerados prioritários pelo Ministério da Saúde – dentre eles estão os idosos (60 anos ou mais), trabalhadores da saúde, puérperas, doentes crônicos e professores.

(Marcello Campos)

O Sul

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